Uma pesquisa sobre sexualidade e homofobia -aversão a homossexuais- mostra que 58% dos brasileiros consideram a homossexualidade um pecado contra as leis de Deus e que 29% a apontam como uma doença a ser tratada. No total, 99% da população têm algum tipo de preconceito em relação à homossexualidade. Ou seja, apenas 1% está livre desse mal.
Nos anos de 2009 eles eram assim, PRECONCEITUOSOS, não se espantem. Até os próprios gays tinham preconceito contra eles mesmos e preferiam se esconder no armário (termo usado na época para designar os não assumidos). A reação diante de dados como esse era o silêncio. Silêncio? Sim!
Os de poder aquisitivo maior se calavam e calavam os demais com o saldo das suas contas bancarias, tornando-se assim quase heteros e portanto “aceitos”.Esses repudiavam a militância ou política gay, uma forma de não se expor, diziam.Sempre preferiram os becos escuros,e assim como pagavam para serem aceitos, pagavam para serem comidos, para comerem, para amar e para amarem.
Para os assumidos assim como eram chamados, estes não passavam de bichinhas, veadinhos e outros adjetivos pejorativos usados na época. A palavra assumido além de assustar era ligada a palavra afetação, conseqüentemente exposição gratuita o que acabava assustando aqueles que preferiam trancafiar-se em armários e fechar-se a sete chaves.
Ser assumido, no entanto não significava ser militante ou ter uma visão política sobre o que era ser gay ou sobre os direitos que eles poderiam vir a ter. Muitos usavam da “liberdade” de mostrar-se como tal para reafirmar o estereótipo criado pelos inquilinos dos armários. O que jogava por terra o trabalho daqueles que tentavam mostrar aos demais que gay não era sinônimo de sexo e promiscuidade.
Paradas foram criadas e desvirtuadas, passaram a ser carnavais fora de época, os objetivos políticos, as lutas por direitos foram esquecidas em detrimento da festa, da música e do sexo. Nessas paradas, a segmentação e segregação eram aparentes. As diversidades existentes na homossexualidade se separavam e cada um segurava a sua cor da bandeira, o que criou novos preconceitos. Como assim?Travestis não se davam com os chamados veadinhos, que não se davam com os não assumidos e assim por diante.
As televisões ainda usavam termos como homossexualismo, telenovelas ( uma espécie de series com um numero maior de capítulos) não expunham beijos entre casais homossexuais,gays eram sempre usados em programas humorísticos e de forma caricata.
Escolas dispensavam professores pelo simples fato deles levarem para a sala de aula letras de música onde retratavam beijos entre meninas.
Nas ruas,adolescentes gays eram espancados, agredidos, xingados.Enquanto a policia alegava “quem manda ser gay”.
Ser gay era uma escolha,uma sem-vergonhice como diziam.
Carinho em publico era motivo de expulsões de shoppings. Os que ousavam se expor eram vistos com maus olhos, apontados.
Assumidos militantes, com visão política ou não, lutavam contra o preconceito de heteros e gays não assumidos que a todo o tempo alegavam que a não exposição e a privacidade era a melhor forma de se defender do preconceito e ser aceito.
Que bom que isso ficou no passado, que bom que hoje as pessoas não são mais julgadas pela sua cor, credo ou orientação sexual.Hoje gays e heteros andam juntos como iguais que são, comungando dos mesmos direitos e deveres.Que bom que hoje posso dizer e demonstrar que amo o meu parceiro em público sem que isso motive reações bruscas, comentários ou acusações.Que bom que hoje os pais entendem as orientações sexuais dos seus filhos, seja ela qual for, e não os expulsam mais de casa.Que bom que bandeiras não precisam mais serem levantadas pois partilhamos de uma única.
Que bom que vivemos em épocas tão evoluídas e com pessoas evoluídas tal qual seu tempo.
Que ano é esse mesmo que estamos?
“...para aqueles que preferem o armário e o silêncio: nos momentos em que a liberdade de expressão está ameaçada, até mesmo a privacidade precisa ser lançada por terra, pois, se os inimigos da diversidade sexual triunfarem, nem mesmo na privacidade do armário vai ser possível amar ou gozar.”
segunda-feira, 23 de março de 2009
Tempos Modernos
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