domingo, 26 de julho de 2009

Entre Billie e Chico

Hoje espalhei todos os seus discos pelo chão, agora ando sobre eles, ando sobre músicas, piso em Chico, Elis, Gal, Caetano, Billie, Ella e todos mais que me lembram você. Tentei quebrá-los um dia desses, mas não fui capaz de cometer tamanha heresia.
Que culpa tem os deuses por tão pequeno e rele mortal, pensei? E então fui demovida da idéia.

Agora mesmo estou aqui ouvindo Chico cantar “TROCANDO EM MIÚDOS” enquanto te escrevo. Que coincidência, nessa música ele diz tudo que eu gostaria e quero te dizer:

“Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim!
O resto é seu

Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças

Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer”
Enfim...

Antes que eu esqueça, não adianta me mandar flores numa tentativa frustrada de romantismo ou de me desestabilizar emocionalmente. Cansei de jogá-las no lixo da cozinha, foi-se o tempo em que isso me tirava do eixo, que me fazia sofrer, que me fazia doer. Hoje convivo bem com elas espalhadas. Rosas vermelhas abrandam o cheiro já quase tão impregnado de cigarro da casa e ocupam as garrafas vazias de gim espalhadas pelos cantos.
Os vasos? Foram todos arremessados contra as paredes e as portas em momentos de raiva e fúria. Mas se quer uma opinião, caso não desista de mandá-las, troque-as, rosas vermelhas embora clássicas, são clichês de casais apaixonados e esse já não é mais o nosso caso faz um tempo.

...

Continuo sim a pagar por sexo se é o que queres saber, e o que é pior, estou correndo sérios riscos de cometer o que mais temia e o motivo pelo qual sempre te falei que não contraria um garoto de programa, me apaixonar. Ainda não é paixão, mas é a curiosidade diante do enigma, fui posta diante de uma esfinge e agora quero desvendá-la e devo pagar alguns preços por isso, e um deles pode ser a paixão.

Fábio. Foi assim que ele se apresentou. 25 anos, negro com feições finas, aquele padrão de negro aceito pela sociedade européia, entende? Enfim, ele é diferente dos outros. Chegou diferente, aceitou um drinque, fumou um cigarro comigo e foi tomando-me em seus braços calmamente sem a voluptuosidade já comumente esperada por mim diante desses garotos de programa. Na cama me deu um prazer que jamais sentir e de forma jamais praticada por alguém em mim. Sei que já falei isso com relação a outros, mas esse de fato foi diferente. Ele não teve o furor animal nem a pretensão de ser uma maquina de fazer sexo, embora estivesse sendo pago somente como objeto sexual pronto para realizar qualquer fantasia pedida por mim. Ele foi calmo, teve movimentos precisos, braços fortes, porém macios, seu sexo oral é de um profundo conhecedor da genitália feminina, o seu órgão é grande e rígido, no entanto sua penetração é macia, os seus movimentos dentro de mim me preenchem de tal forma que lhe entregaria a vida durante o ato, seu cheiro é forte, adoro impregnar-me dele assim como adoro sentir o seu gosto na língua e posteriormente absolve-lo por completo.

Se não bastasse isso ele é culto e profundo conhecedor das artes. Depois do sexo ele atentou-se para os seus e os meus livros na prateleira e começou a dissertar sobre cada um deles, das poesias de Cecília Meireles a literatura de Virginia Wolf de Drummond a Clarisse Lispector passeando com segurança por todas aquelas obras, das mais populares até as mais clássicas. Em alguns momentos citou de có alguma fala de algum personagem do livro comentado: “Dá minha jaqueta, boy, que faz um puta frio lá fora e quando chega essa hora da noite eu me desencanto. Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada, sozinha, perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada”. -Tenho uma queda por Caio F. ,adoro a literatura dele.E foi com essa frase que ele repentinamente catou suas coisas no quarto o dinheiro na mesinha do lado da cama e como um ator dramático partiu batendo a porta, fechando assim o primeiro ato.

Depois de minutos, levantei olhei-me no espelho, estava eu nua com a porra dele impregnada no meu corpo, com aquele cheiro forte de negro em mim. Dei alguns passos até o banheiro, entrei no Box, liguei o chuveiro e nunca um banho depois de uma foda foi tão intrigante. A água escorria pelo meu corpo lavando de mim o que dele havia ficado e posso te garantir não era pouco. Desliguei o chuveiro e ainda molhada retornei até o quarto onde vestir o roupão e amarrei uma toalha na cabeça para secar o cabelo. Na sala enchi um copo com gim, acendi um Malboro e coloquei Billie na vitrola rasgando a madrugada com sua voz cortante.



“You don't know how lips hurt
Until you've kissed and had to pay the cost
Until you've flipped your heart and you have lost
You don't know what love is

Do you know how lost I've been
At the thought of reminiscing
And how lips that taste of tears
Lose their taste for kissing

You don't know how hearts burn
For love that cannot live yet never dies
Until you've faced each dawn with sleepless eyes
You don't know what love is

You don't know how hearts burn
For love that cannot live yet never dies
Until you've faced each dawn with sleepless eyes
You don't know what love is .What Love Is”

Dormir no sofá mesmo. Acordei no dia seguinte com o sol na minha cara e com ele ainda ali, inerte na minha cabeça a impulsionar-me para o telefone em busca dele. E assim fiz uma, duas, três, quatro, vinte vezes durante o dia que se multiplicaram durante a semana e nada dele atender. Até que no inicio dessa manha a campainha soou, sair correndo do quarto enrolada numa coberta. Diante da porta, olho pelo olho mágico e me deparo com a imagem dele, rapidamente e tremula a abro e a partir daí inicia-se o segundo ato.

...

Tenho buscado respostas e tenho avançado nelas, quem sabe um dia descubra verdades, revele mentiras, quem sabe um dia te surpreenda assim como venho me surpreendendo com simples abrir e fechar de portas.

Volto a te escrever mesmo sem saber por que ainda faço isso.

Ana Helena

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Resposta

Aqui tem chovido muito, não tenho saído, vejo a rua somente através de janelas embaçadas e molhadas pelos pingos da chuva. Tenho dormindo tarde e acordado mais tarde ainda, antes que você possa presumir essa solidão não me incomoda, até porque estava só mesmo com você.
Não entendi sua carta, fiquei atônita por segundos, sem conseguir reagir ao perceber que se tratava de algo seu, mas depois me recuperei e não conseguir entender o porquê dela. Tentar mais uma vez para que, se todas as outras tentativas foram frustradas?Ao contrario de você não acredito mais em nós dois. Como casal, estaremos sempre fadados ao fracasso ao insucesso. Até na cama onde achei que nos dávamos bem fui provada do contrario.
Tenho contratado garotos de programa. Ontem me redescobrir sexualmente, o encontrei em um desses classificados de jornal, pele alva, cabelos negros e lisos, boca voluptuosa que desvendou todo o meu corpo tirando dele todo o meu desejo aprisionado, além de um dote de 19 cm.
Antes dele chegar, tomei um banho, depilei-me e pus aquela meia calça preta com o peep toe vermelho que você me deu.Abrir a porta usando somente isso.Ele, com a impetuosidade dos seus 22 anos foi arrancando a roupa ali mesmo e tomando-me em seus braços.Eu com a segurança que me cabe exigir calma, ascendi um cigarro e comecei a me exibir, tendo o céu e a sua palheta de tons avermelhados como iluminador.As caras de desejo dele diante da personificação da luxuria que era eu me excitava ainda mais.O tempo do cigarro era o meu tempo,era o tempo em que eu ainda dominava a situação.Assim que acabei de fumar ele ferozmente abriu-me as pernas e começou a provar do meu gosto como jamais alguém fez.Jamais!
Não deveria está te dizendo isso,mas diante de tudo passado quero,necessito que saibas...
A chuva só aumenta, as ruas permanecem desertas, o vizinho de cima ainda teima em colocar seus discos de boleros instrumentais, aqueles que você tanto odiava. Balbucio algumas letras “besa-me,besa-me mucho”, entre um gole e outro de gim.
A casa mudou pouco desde a sua partida, a sala continua com as almofadas no chão, cinzeiros espalhados pelos cantos, seus discos continuam milimetricamente dispostos na parte de baixo da estante da mesma forma que seus filmes de Feline,Hitchcock , Almodóvar e tantos outros mais.
Esses dias ouvir Elis e Cauby cantarem bolero de satã. Feito louca dancei sozinha, rodopiei por entre a sala, na mão esquerda o inseparável copo com gim, na mão direita o mais inseparável ainda Mallboro. Dancei, bebi e fumei até cair e apagar. No dia seguinte acordei ainda trajando o longo Chanel que havia posto, afinal o momento exigia. Desejei ter alguém que me pusesse no colo, me levasse pra cama, me preparasse à banheira e depois um lindo café da manha na cama com uma rosa decorando a bandeja. Desejei.
Nos mais “meus dias têm sido assim
Quando lavarem a mágoa
Quando brotarem as flores
Quando colherem os frutos
Digam o gosto pra mim”

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O Meu amor part 1


Lucas:''RAFA,é uma verdade, bem grande, que eu não queria falar, nem dormir,nem ouvir, nem querer./Sentir-me encerrado, sem medo de sangue, sem tempo nem magia, dentro do meu próprio medo, e dentro de tua grande angústia, e mesmo no ruído do teu coração./Toda essa loucura, se a ti perguntasse, sei que seria, para o teu silêncio, pura confusão./Peço-te violência, na desrazão, e tu, me dás a graça,na desrazão, e tu, me dás a graça, tua luz e teu calor./Gostaria de pintar-te, mas não há cores, por haver tantas, em minha confusão, a forma concreta do meu grande amor. (FRIDA KAHLO ADAPTADA AO MEU AMOR ''RAFA'')
Rafa:O meu amor tem um jeito manso que é só seu,que rouba os meus sentidos,viola os meus ouvidos.O meu amor tem um jeito manso que é só seu Que me deixa maluco, quando me roça a nuca E quase me machuca com a barba mal feita.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Devassos no Paraíso

Moro no paraíso, onde peixes nadam em meio as águas sujas,onde bonecas falam e fazem.Moro onde consiencia resolveu aparacer.Moro onde há alegria,mas há um palhaço que teima a chorar sempre.Moro onde não tem Tv e no lugar dela há um enorme espelho que nos transforma em artistas.Moro com mulheres que se diferem e se igualam nas suas belezas.Moro com mulhres que entram em TPM todas de uma vez só.
Moro com uma galega de temperamento forte,gênio quase indomavél prestes a explodir feito uma bomba de chocolate.
Moro com uma morena que ainda não mostrou a que veio ao paraíso,mas tenho certeza que irá soltar-se de amarras e andará por aí de folhinhas cobrindo as vergonhas que ainda lhes restará se é que vai restar.
Moro com os maiores e mais belos olhos verdes,por vezes frágil, por vezes fortes,mulher de extremos,mulher que ama.
Moro onde amigos entram, ficam,bebem, dormem.Moro onde as pessoas dormem no ar.Moro onde a chave calça all starMoro onde amores permanecem.
Moro comigo mesmo,com minhas certezas,dúvidas.Moro com sentimentos diversos.Moro com o amor de cada uma delas e com o amor que direciono a elas.Moro onde música é nosso principal alimento,algo" meio bossa nova e rock'roll".Moro no 302.
Moro onde há espaço, o meu lugar é quando

segunda-feira, 23 de março de 2009

Senhor do tempo


Casas em estilo colonial emolduram a praça matriz de uma cidade interiorana e bucólica. Em composição a essa cena um senhor de feições finas, branco, olhos claros e cabelos pretos encontra-se sentado em frente a uma dessas residências. Sua reação ou falta de, seu olhar fitando o nada me faz lembrar da Carolina do Chico, não sei bem por que, já que eles nada têm a ver. Ele contrariamente a ela vigia o tempo como que não quisesse que esse passasse sem que antes ele pudesse perceber. Numa tentativa silenciosa de torna-se o senhor do tempo. Suas vestes negras em contraste com a fachada branca, seu corpo ligeiramente e milimetricamente jogado na cadeira de madeira de lei parecem compor a cena de um filme. O tempo passa lentamente e depois de horas na mesma posição ele levanta-se, entra em casa deixando a cadeira na porta e finalmente o silêncio é quebrado. Primeiramente num grito de dor que simplesmente diz NÂO e depois no som da voz de Piaff cantando “Adieu Mon Coeur”.

Adeus, meu coração
Jogam-te na tristeza
não terás meus olhos para morrer...
Adeus, meu coração
Os ecos da felicidade
Tornam teus cantos tristes
Como um arrependimento


Outrora respiravas o sol de ouro
Caminhavas sobre tesouros
Éramos vagabundos
Amávamos as canções.
Isso acabou nas prisões

Adeus, meu coração
Jogam-te na tristeza
não terás meus olhos para morrer...
Adeus, meu coração
Os ecos da felicidade
Tornam teus cantos tristes
Como um arrependimento

Monólogo de um amor cantado

Queria escrever, mas não sei muito bem o que quero dizer, meus pensamentos estão bagunçados, embaralhados, quem sabe até de ponta cabeça. Queria escrever sobre músicas, sobre sentimentos novos, sobre a falta de ideologias e eu “quero uma ideologia para viver”, pensei em escrever sobre lágrimas presas na garganta, mas está tão difícil tudo isso. Pensei em ouvir algo, necessitava ouvir algo, não sei muito bem se seria música ou um eu te amo seu, o fato é que revirei a pasta de musica os CDs guardados em meio a bagunça do meu coração e cheguei a conclusão que Bethania talvez me dissesse o que queria ouvir.“Feito louca alucinada e criança sentindo o meu amor se derramando”

Mas nem é de amor que quero falar, ou é?Deve ser da ausência de tudo, inclusive dele, ou seja de você. Sinto-me decadente, só não estou mais pela ausência de um dry Martini e de um cigarro entre os dedos, pois nos ouvidos já tenho um bolero: “Volta fica comigo, só mais uma noite, quero viver junto a ti, volta meu amor” Como é ruim dançar sozinho, bolero se dança à dois, algo tipo dois pra lá dois pra Ca, de preferencia numa dessas boates decadentes pra “decencia não nos ver”.Mas cadê você ?Queria tocar-lhe, te sentir nem que fosse com um bolero entre nós,queria impregnar-me do teu cheiro,te sussurar no ouvido:”O meu defeito é/foi te amar demais”.

Eu disse que não era de amor que queria falar,mas isso está impregnado,é inerente a mim.Preciso te ver e”Olhos nos olhos quero ver o que você faz?”Sei que o seu corpo reage ao meu, “olhos nos olhos quero ver o que você diz”.Me mandarias embora novamente ou pediria que ficasse para que estendessemos nosso bolero em meio a lençois?Durma comigo essa noite, diria.Eu como um bom tolo que sou, aceitaria mas no dia seguinte em meio as “travessuras das noites eternas”,”não saberia com que pernas deveria seguir”

“Você está vendo só do jeito que eu fiquei“?criando conjecturas em meu a sonhos.”Volta vem viver outra vez ao meu lado, não consigo dormir sossegado pois meu corpo está aostumado”.Como aprender a viver sem ti?São tantas as perguntas,nem gostaria de está-las fazendo, afinal não são respostas que quero.Já te disse não sei o que quero dizer, a minha única certeza é que meu amor é assim clichê ou brega caso prefira assim.Tentei não falar sobre “detalhes tão pequenos de nós dois “, mas “se um outro cabeludo aparecer na sua rua e isso lhe trouxer lembranças minhas a culpa é sua” que desmereceu o meu amor,fui e estou inteiro seu.Mentira,na verdade o que sou hoje são cacos, pedaços de mim que se agarram a um todo seu.Queria poder te dizer”esquece o meu amor vê se esquece”,mas estaria esquecendo a mim

Amor sublime(i) amor


Sou o vazio de uma garrafa cheia a espera de ser bebida.

Sou a imensidão presa em um quarto.

Sou o gozo pronto para esporrar

Sou o grito calado

O beijo esperado

O orgasmo interrompido e múltiplo

A masturbação solitária

O sexo vazio e preenchido

Sou a safista

A invertida

A travestida

A entendida

A hieródula

Sou o sodomita

O pederasta

O herege

O transviado

Sou os dois

Sou o Homem

A mulher

O melhor e o pior dos sexos

Sou o pecado

O sem absolvição

O Sem remição

Sou o escuro

Sou todas as cores do arco-íris

Sou o pensamento

Sou a falta do que pensar

Enfim...

Sou o vazio de tudo o que existe dentro dessa garrafa



Plaft... A garrafa caiu, o líquido começou a derramar.

-Absolva-me com um papel toalha.

...

O líquido continua a cair, a derramar

Não sou sorvido nem absolvido


Sou intragável

Sou amargo

Sou cicuta

Sou letal

O líquido que sou,seca a garganta,trava a língua

Faz as amigdalas pararem

Faz a fala calar

Sou ácido, te faço sumir,assumir novas formas

Te faço inconstante

Te faço,te contruo e te destruo em mim

SUBLIMEI