domingo, 26 de julho de 2009
Entre Billie e Chico
Que culpa tem os deuses por tão pequeno e rele mortal, pensei? E então fui demovida da idéia.
Agora mesmo estou aqui ouvindo Chico cantar “TROCANDO EM MIÚDOS” enquanto te escrevo. Que coincidência, nessa música ele diz tudo que eu gostaria e quero te dizer:
“Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim!
O resto é seu
Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças
Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer”
Enfim...
Antes que eu esqueça, não adianta me mandar flores numa tentativa frustrada de romantismo ou de me desestabilizar emocionalmente. Cansei de jogá-las no lixo da cozinha, foi-se o tempo em que isso me tirava do eixo, que me fazia sofrer, que me fazia doer. Hoje convivo bem com elas espalhadas. Rosas vermelhas abrandam o cheiro já quase tão impregnado de cigarro da casa e ocupam as garrafas vazias de gim espalhadas pelos cantos.
Os vasos? Foram todos arremessados contra as paredes e as portas em momentos de raiva e fúria. Mas se quer uma opinião, caso não desista de mandá-las, troque-as, rosas vermelhas embora clássicas, são clichês de casais apaixonados e esse já não é mais o nosso caso faz um tempo.
...
Continuo sim a pagar por sexo se é o que queres saber, e o que é pior, estou correndo sérios riscos de cometer o que mais temia e o motivo pelo qual sempre te falei que não contraria um garoto de programa, me apaixonar. Ainda não é paixão, mas é a curiosidade diante do enigma, fui posta diante de uma esfinge e agora quero desvendá-la e devo pagar alguns preços por isso, e um deles pode ser a paixão.
Fábio. Foi assim que ele se apresentou. 25 anos, negro com feições finas, aquele padrão de negro aceito pela sociedade européia, entende? Enfim, ele é diferente dos outros. Chegou diferente, aceitou um drinque, fumou um cigarro comigo e foi tomando-me em seus braços calmamente sem a voluptuosidade já comumente esperada por mim diante desses garotos de programa. Na cama me deu um prazer que jamais sentir e de forma jamais praticada por alguém em mim. Sei que já falei isso com relação a outros, mas esse de fato foi diferente. Ele não teve o furor animal nem a pretensão de ser uma maquina de fazer sexo, embora estivesse sendo pago somente como objeto sexual pronto para realizar qualquer fantasia pedida por mim. Ele foi calmo, teve movimentos precisos, braços fortes, porém macios, seu sexo oral é de um profundo conhecedor da genitália feminina, o seu órgão é grande e rígido, no entanto sua penetração é macia, os seus movimentos dentro de mim me preenchem de tal forma que lhe entregaria a vida durante o ato, seu cheiro é forte, adoro impregnar-me dele assim como adoro sentir o seu gosto na língua e posteriormente absolve-lo por completo.
Se não bastasse isso ele é culto e profundo conhecedor das artes. Depois do sexo ele atentou-se para os seus e os meus livros na prateleira e começou a dissertar sobre cada um deles, das poesias de Cecília Meireles a literatura de Virginia Wolf de Drummond a Clarisse Lispector passeando com segurança por todas aquelas obras, das mais populares até as mais clássicas. Em alguns momentos citou de có alguma fala de algum personagem do livro comentado: “Dá minha jaqueta, boy, que faz um puta frio lá fora e quando chega essa hora da noite eu me desencanto. Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada, sozinha, perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada”. -Tenho uma queda por Caio F. ,adoro a literatura dele.E foi com essa frase que ele repentinamente catou suas coisas no quarto o dinheiro na mesinha do lado da cama e como um ator dramático partiu batendo a porta, fechando assim o primeiro ato.
Depois de minutos, levantei olhei-me no espelho, estava eu nua com a porra dele impregnada no meu corpo, com aquele cheiro forte de negro em mim. Dei alguns passos até o banheiro, entrei no Box, liguei o chuveiro e nunca um banho depois de uma foda foi tão intrigante. A água escorria pelo meu corpo lavando de mim o que dele havia ficado e posso te garantir não era pouco. Desliguei o chuveiro e ainda molhada retornei até o quarto onde vestir o roupão e amarrei uma toalha na cabeça para secar o cabelo. Na sala enchi um copo com gim, acendi um Malboro e coloquei Billie na vitrola rasgando a madrugada com sua voz cortante.
…
“You don't know how lips hurt
Until you've kissed and had to pay the cost
Until you've flipped your heart and you have lost
You don't know what love is
Do you know how lost I've been
At the thought of reminiscing
And how lips that taste of tears
Lose their taste for kissing
You don't know how hearts burn
For love that cannot live yet never dies
Until you've faced each dawn with sleepless eyes
You don't know what love is
You don't know how hearts burn
For love that cannot live yet never dies
Until you've faced each dawn with sleepless eyes
You don't know what love is .What Love Is”
Dormir no sofá mesmo. Acordei no dia seguinte com o sol na minha cara e com ele ainda ali, inerte na minha cabeça a impulsionar-me para o telefone em busca dele. E assim fiz uma, duas, três, quatro, vinte vezes durante o dia que se multiplicaram durante a semana e nada dele atender. Até que no inicio dessa manha a campainha soou, sair correndo do quarto enrolada numa coberta. Diante da porta, olho pelo olho mágico e me deparo com a imagem dele, rapidamente e tremula a abro e a partir daí inicia-se o segundo ato.
...
Tenho buscado respostas e tenho avançado nelas, quem sabe um dia descubra verdades, revele mentiras, quem sabe um dia te surpreenda assim como venho me surpreendendo com simples abrir e fechar de portas.
Volto a te escrever mesmo sem saber por que ainda faço isso.
Ana Helena
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Resposta
Não entendi sua carta, fiquei atônita por segundos, sem conseguir reagir ao perceber que se tratava de algo seu, mas depois me recuperei e não conseguir entender o porquê dela. Tentar mais uma vez para que, se todas as outras tentativas foram frustradas?Ao contrario de você não acredito mais em nós dois. Como casal, estaremos sempre fadados ao fracasso ao insucesso. Até na cama onde achei que nos dávamos bem fui provada do contrario.
Tenho contratado garotos de programa. Ontem me redescobrir sexualmente, o encontrei em um desses classificados de jornal, pele alva, cabelos negros e lisos, boca voluptuosa que desvendou todo o meu corpo tirando dele todo o meu desejo aprisionado, além de um dote de 19 cm.
Antes dele chegar, tomei um banho, depilei-me e pus aquela meia calça preta com o peep toe vermelho que você me deu.Abrir a porta usando somente isso.Ele, com a impetuosidade dos seus 22 anos foi arrancando a roupa ali mesmo e tomando-me em seus braços.Eu com a segurança que me cabe exigir calma, ascendi um cigarro e comecei a me exibir, tendo o céu e a sua palheta de tons avermelhados como iluminador.As caras de desejo dele diante da personificação da luxuria que era eu me excitava ainda mais.O tempo do cigarro era o meu tempo,era o tempo em que eu ainda dominava a situação.Assim que acabei de fumar ele ferozmente abriu-me as pernas e começou a provar do meu gosto como jamais alguém fez.Jamais!
Não deveria está te dizendo isso,mas diante de tudo passado quero,necessito que saibas...
A chuva só aumenta, as ruas permanecem desertas, o vizinho de cima ainda teima em colocar seus discos de boleros instrumentais, aqueles que você tanto odiava. Balbucio algumas letras “besa-me,besa-me mucho”, entre um gole e outro de gim.
A casa mudou pouco desde a sua partida, a sala continua com as almofadas no chão, cinzeiros espalhados pelos cantos, seus discos continuam milimetricamente dispostos na parte de baixo da estante da mesma forma que seus filmes de Feline,Hitchcock , Almodóvar e tantos outros mais.
Esses dias ouvir Elis e Cauby cantarem bolero de satã. Feito louca dancei sozinha, rodopiei por entre a sala, na mão esquerda o inseparável copo com gim, na mão direita o mais inseparável ainda Mallboro. Dancei, bebi e fumei até cair e apagar. No dia seguinte acordei ainda trajando o longo Chanel que havia posto, afinal o momento exigia. Desejei ter alguém que me pusesse no colo, me levasse pra cama, me preparasse à banheira e depois um lindo café da manha na cama com uma rosa decorando a bandeja. Desejei.
Nos mais “meus dias têm sido assim
Quando lavarem a mágoa
Quando brotarem as flores
Quando colherem os frutos
Digam o gosto pra mim”
quinta-feira, 9 de abril de 2009
O Meu amor part 1

segunda-feira, 30 de março de 2009
Devassos no Paraíso
Moro com uma galega de temperamento forte,gênio quase indomavél prestes a explodir feito uma bomba de chocolate.
Moro com uma morena que ainda não mostrou a que veio ao paraíso,mas tenho certeza que irá soltar-se de amarras e andará por aí de folhinhas cobrindo as vergonhas que ainda lhes restará se é que vai restar.
Moro com os maiores e mais belos olhos verdes,por vezes frágil, por vezes fortes,mulher de extremos,mulher que ama.
Moro onde amigos entram, ficam,bebem, dormem.Moro onde as pessoas dormem no ar.Moro onde a chave calça all starMoro onde amores permanecem.
Moro comigo mesmo,com minhas certezas,dúvidas.Moro com sentimentos diversos.Moro com o amor de cada uma delas e com o amor que direciono a elas.Moro onde música é nosso principal alimento,algo" meio bossa nova e rock'roll".Moro no 302.
Moro onde há espaço, o meu lugar é quando
segunda-feira, 23 de março de 2009
Senhor do tempo

Casas em estilo colonial emolduram a praça matriz de uma cidade interiorana e bucólica. Em composição a essa cena um senhor de feições finas, branco, olhos claros e cabelos pretos encontra-se sentado em frente a uma dessas residências. Sua reação ou falta de, seu olhar fitando o nada me faz lembrar da Carolina do Chico, não sei bem por que, já que eles nada têm a ver. Ele contrariamente a ela vigia o tempo como que não quisesse que esse passasse sem que antes ele pudesse perceber. Numa tentativa silenciosa de torna-se o senhor do tempo. Suas vestes negras em contraste com a fachada branca, seu corpo ligeiramente e milimetricamente jogado na cadeira de madeira de lei parecem compor a cena de um filme. O tempo passa lentamente e depois de horas na mesma posição ele levanta-se, entra em casa deixando a cadeira na porta e finalmente o silêncio é quebrado. Primeiramente num grito de dor que simplesmente diz NÂO e depois no som da voz de Piaff cantando “Adieu Mon Coeur”.
Adeus, meu coração
Jogam-te na tristeza
não terás meus olhos para morrer...
Adeus, meu coração
Os ecos da felicidade
Tornam teus cantos tristes
Como um arrependimento
Outrora respiravas o sol de ouro
Caminhavas sobre tesouros
Éramos vagabundos
Amávamos as canções.
Isso acabou nas prisões
Adeus, meu coração
Jogam-te na tristeza
não terás meus olhos para morrer...
Adeus, meu coração
Os ecos da felicidade
Tornam teus cantos tristes
Como um arrependimento
Monólogo de um amor cantado
Mas nem é de amor que quero falar, ou é?Deve ser da ausência de tudo, inclusive dele, ou seja de você. Sinto-me decadente, só não estou mais pela ausência de um dry Martini e de um cigarro entre os dedos, pois nos ouvidos já tenho um bolero: “Volta fica comigo, só mais uma noite, quero viver junto a ti, volta meu amor” Como é ruim dançar sozinho, bolero se dança à dois, algo tipo dois pra lá dois pra Ca, de preferencia numa dessas boates decadentes pra “decencia não nos ver”.Mas cadê você ?Queria tocar-lhe, te sentir nem que fosse com um bolero entre nós,queria impregnar-me do teu cheiro,te sussurar no ouvido:”O meu defeito é/foi te amar demais”.
Eu disse que não era de amor que queria falar,mas isso está impregnado,é inerente a mim.Preciso te ver e”Olhos nos olhos quero ver o que você faz?”Sei que o seu corpo reage ao meu, “olhos nos olhos quero ver o que você diz”.Me mandarias embora novamente ou pediria que ficasse para que estendessemos nosso bolero em meio a lençois?Durma comigo essa noite, diria.Eu como um bom tolo que sou, aceitaria mas no dia seguinte em meio as “travessuras das noites eternas”,”não saberia com que pernas deveria seguir”
“Você está vendo só do jeito que eu fiquei“?criando conjecturas em meu a sonhos.”Volta vem viver outra vez ao meu lado, não consigo dormir sossegado pois meu corpo está aostumado”.Como aprender a viver sem ti?São tantas as perguntas,nem gostaria de está-las fazendo, afinal não são respostas que quero.Já te disse não sei o que quero dizer, a minha única certeza é que meu amor é assim clichê ou brega caso prefira assim.Tentei não falar sobre “detalhes tão pequenos de nós dois “, mas “se um outro cabeludo aparecer na sua rua e isso lhe trouxer lembranças minhas a culpa é sua” que desmereceu o meu amor,fui e estou inteiro seu.Mentira,na verdade o que sou hoje são cacos, pedaços de mim que se agarram a um todo seu.Queria poder te dizer”esquece o meu amor vê se esquece”,mas estaria esquecendo a mim
Amor sublime(i) amor
Sou a imensidão presa em um quarto.
Sou o gozo pronto para esporrar
Sou o grito calado
O beijo esperado
O orgasmo interrompido e múltiplo
A masturbação solitária
O sexo vazio e preenchido
Sou a safista
A invertida
A travestida
A entendida
A hieródula
Sou o sodomita
O pederasta
O herege
O transviado
Sou os dois
Sou o Homem
A mulher
O melhor e o pior dos sexos
Sou o pecado
O sem absolvição
O Sem remição
Sou o escuro
Sou todas as cores do arco-íris
Sou o pensamento
Sou a falta do que pensar
Enfim...
Sou o vazio de tudo o que existe dentro dessa garrafa
Plaft... A garrafa caiu, o líquido começou a derramar.
-Absolva-me com um papel toalha.
...
O líquido continua a cair, a derramar
Não sou sorvido nem absolvido
Sou intragável
Sou amargo
Sou cicuta
Sou letal
O líquido que sou,seca a garganta,trava a língua
Faz as amigdalas pararem
Faz a fala calar
Sou ácido, te faço sumir,assumir novas formas
Te faço inconstante
Te faço,te contruo e te destruo em mim
SUBLIMEI
Todas as mulheres

Costumo sempre dizer para amigas que elas possuem a força, que os homens só pensam com a cabeça de baixo e como a de baixo não pensa, elas é que estão no comando, inclusive do sexo. Sou apaixonado pelo poder substancial que a mulher tem. A capacidade de seduzir com uma fenda de vestido, a meia calça preta que mais esconde do que mostra, com um irresistível salto alto e fino ou então sem coisa alguma, pois a sedução lhe é inerente. Adoro a inteligência muitas vezes passiva de mulheres que por vezes caladas dominam e comandam o mundo. Da mesma forma que adoro mulheres que gritam, berram que tem o maxilar sempre pressionado e num simples olhar desmontam e/ou constroem o seu mundo, a La Betty Davis.
Mulheres carregam mistérios, seja o da vida, e Deus lhes agraciou com o poder dela, seja o do sexo. Do seu sexo misterioso. Diferentemente do homem que é exposto, o sexo dela necessita ser descoberto, desvendado, revelado. Feliz daquele ou daquela que consegue fazer com que uma mulher sinta prazer, pois será agraciado pelo poder divino.
Mulheres são mães, filhas, donas de casa, psicólogas, jornalistas. Mulheres amam mulheres, amam homens, se amam. Mulheres são múltiplas assim como os seus orgasmos. Que inveja. Bem ditas és tu mulher, suas artes, suas vozes, por vezes macia como a de Adriana Calcanhoto e Marina Lima. Fortes como a de Elis, Bethania, Clara Nunes. Aguda como a de Gal, Vanessa da Mata. Rouca como a de Diana Krall, Amy Winehouse, Adele, Ella e todas aquelas negras maravilhosas cantoras de jazz. Mulheres são inclassificáveis, elas não se limitam. Como disse Simone de Beauvoir: ”Nenhuma mulher nasce mulher: torna-se”
Sempre lidei com mulher de forma diferente, sempre as vi como amigas, seres para constante adoração. Devo confessar que certa vez quando fiquei com uma não soube muito bem o que fazer, achei que pudesse quebrá-la, ledo engano. Ainda bem que se tratava de uma amiga e ela conduziu toda a história e minha mão inclusive.
Para um homem entrar na minha vida ele tem que também amar mulheres, enxergar a alma feminina e traduzi-la assim como Caio F. e suas damas da noite com seus sapatos vermelhos ora decadentes ora com um poder descomunal. Ou então como Tom e Vinicius com suas respectivas harmonias e poesias.
Obrigado Mãe, avó, tia
Obrigado irmãs, primas
Obrigado a arte feminina com seus textos, poesias, músicas, vozes, alma.
Vocês me transformaram no que sou.
Viva, parabéns por hoje e pelos demais 364 dias!
Tempos Modernos
Uma pesquisa sobre sexualidade e homofobia -aversão a homossexuais- mostra que 58% dos brasileiros consideram a homossexualidade um pecado contra as leis de Deus e que 29% a apontam como uma doença a ser tratada. No total, 99% da população têm algum tipo de preconceito em relação à homossexualidade. Ou seja, apenas 1% está livre desse mal.
Nos anos de 2009 eles eram assim, PRECONCEITUOSOS, não se espantem. Até os próprios gays tinham preconceito contra eles mesmos e preferiam se esconder no armário (termo usado na época para designar os não assumidos). A reação diante de dados como esse era o silêncio. Silêncio? Sim!
Os de poder aquisitivo maior se calavam e calavam os demais com o saldo das suas contas bancarias, tornando-se assim quase heteros e portanto “aceitos”.Esses repudiavam a militância ou política gay, uma forma de não se expor, diziam.Sempre preferiram os becos escuros,e assim como pagavam para serem aceitos, pagavam para serem comidos, para comerem, para amar e para amarem.
Para os assumidos assim como eram chamados, estes não passavam de bichinhas, veadinhos e outros adjetivos pejorativos usados na época. A palavra assumido além de assustar era ligada a palavra afetação, conseqüentemente exposição gratuita o que acabava assustando aqueles que preferiam trancafiar-se em armários e fechar-se a sete chaves.
Ser assumido, no entanto não significava ser militante ou ter uma visão política sobre o que era ser gay ou sobre os direitos que eles poderiam vir a ter. Muitos usavam da “liberdade” de mostrar-se como tal para reafirmar o estereótipo criado pelos inquilinos dos armários. O que jogava por terra o trabalho daqueles que tentavam mostrar aos demais que gay não era sinônimo de sexo e promiscuidade.
Paradas foram criadas e desvirtuadas, passaram a ser carnavais fora de época, os objetivos políticos, as lutas por direitos foram esquecidas em detrimento da festa, da música e do sexo. Nessas paradas, a segmentação e segregação eram aparentes. As diversidades existentes na homossexualidade se separavam e cada um segurava a sua cor da bandeira, o que criou novos preconceitos. Como assim?Travestis não se davam com os chamados veadinhos, que não se davam com os não assumidos e assim por diante.
As televisões ainda usavam termos como homossexualismo, telenovelas ( uma espécie de series com um numero maior de capítulos) não expunham beijos entre casais homossexuais,gays eram sempre usados em programas humorísticos e de forma caricata.
Escolas dispensavam professores pelo simples fato deles levarem para a sala de aula letras de música onde retratavam beijos entre meninas.
Nas ruas,adolescentes gays eram espancados, agredidos, xingados.Enquanto a policia alegava “quem manda ser gay”.
Ser gay era uma escolha,uma sem-vergonhice como diziam.
Carinho em publico era motivo de expulsões de shoppings. Os que ousavam se expor eram vistos com maus olhos, apontados.
Assumidos militantes, com visão política ou não, lutavam contra o preconceito de heteros e gays não assumidos que a todo o tempo alegavam que a não exposição e a privacidade era a melhor forma de se defender do preconceito e ser aceito.
Que bom que isso ficou no passado, que bom que hoje as pessoas não são mais julgadas pela sua cor, credo ou orientação sexual.Hoje gays e heteros andam juntos como iguais que são, comungando dos mesmos direitos e deveres.Que bom que hoje posso dizer e demonstrar que amo o meu parceiro em público sem que isso motive reações bruscas, comentários ou acusações.Que bom que hoje os pais entendem as orientações sexuais dos seus filhos, seja ela qual for, e não os expulsam mais de casa.Que bom que bandeiras não precisam mais serem levantadas pois partilhamos de uma única.
Que bom que vivemos em épocas tão evoluídas e com pessoas evoluídas tal qual seu tempo.
Que ano é esse mesmo que estamos?
“...para aqueles que preferem o armário e o silêncio: nos momentos em que a liberdade de expressão está ameaçada, até mesmo a privacidade precisa ser lançada por terra, pois, se os inimigos da diversidade sexual triunfarem, nem mesmo na privacidade do armário vai ser possível amar ou gozar.”
Enfim,sensações
Sensações. É assim tipo nome de motel vagabundo que começo a escrever sobre as sensações vividas no dia de hoje.
Senti cheiro da minha infância ao voltar à fazenda com o meu pai. Depois de um tempo sem ir lá, o cheiro me invadiu as narinas, me arrepiou os pêlos do corpo, a retina fotografou os quatros cantos daquele lugar e acabei sendo levado as minhas mais remotas lembranças daqueles tempos em que a inocência ainda era minha companheira. Enfim... Sentimentalismo barato.
Estava vendo um filme, tinha um casal trepondo, o cara tinha uma bunda que não sei por que me lembrou a sua, na verdade lembrei-me do nosso sexo e do quanto era bom, do quanto seu pau já se encaixava perfeitamente em mim. Aiiiiiii. Enfim... Nostalgia barata para quem está há três meses sem trepar .
Senti falta de um amor para assistir ao filme abraçadinho,talvez tenha sentido falta de você, talvez tenha sido só por que você é o meu passado mais próximo, o meu amor mais próximo.Enfim...conjecturas de sensações.
Sensações só isso
Disfarçando as evidências (elas são aparentes)
Somos uma geração que dentre outras coisas mente sobre o que de fato sente. Foi surgindo em nós uma armadura que nos impede de dizer o que de fato sentimos. Nos é sempre aconselhado que omitamos o amor, que não o revelemos, não ao menos por um tempo, pois caso o ser amado saiba, logo agirá de forma diferente. E aí começa o jogo de esconde, esconde.
Nunca fui muito bom nisso e talvez por isso esteja sozinho e que por vezes estive na mão de pessoas (Ou deixei que eles pensassem que estava na mão deles). Quando gosto ou amo, não sei agir racionalmente, muito menos jogar. Não entendo amor como “um jogo de cartas marcadas”, se amo digo logo que amo, que quero, que gosto, que a presença do outro se faz necessária. Mais que isso,escrevo na testa que estou amando,afastando assim qualquer dúvida do ser amado ou de quem pretenda se aproximar de mim. Fico cego, só enxergo um palmo diante de mim quando nesse palmo está quem amo. A dedicação é completa, passo,lavo,cozinho,preparo o ser amado e quando menos espero, ele se vai dizendo que “o sonho/amor acabou e que não da pra ficar” assim mesmo, tipo letra de música dor de cotovelo.(Há quem diga que taurino é isso,prepara a terra para outro semear)
“Ah! Se eu ainda pudesse fingir que te amo”
Mas não acaba por aí,não basta só fingir que não ama,há de fingir-se também que não ama . Simples assim, NÃO AMO MAIS. Aquela pessoa que você conviveu por trezentos anos,comeu,dormiu, roncou, peidou,trepou,chupou,compartilhou músicas,filmes(não necessariamente nessa ordem).Aquela para o qual você jurou amor eterno,dividiu segredos,alegrias,lágrimas, enfim...essa pessoa, de um dia para o outro você não a ama mais, não pode amar mais,se o encontrar na rua convém trocar um educado, sonoro e seco “OI” e nada mais.Se os amigos lhe perguntam como você está ,aí você diz: muito bem, nunca estive tão bem quanto agora.O pior é que suas palavras se tornam ridículas diante da expressão do seu corpo, que a todo o tempo te acusa de mentiroso.E não é só o rubor da bochechas que mais parecem pintadas de carmim que te denunciam não.Seu corpo grita.
Confesso já ter feito isso e por vezes quão ridículo fui. Mas o orgulho me impedia dizer que mesmo estando bem, (e de fato estava) sentia saudades, que o toque dele se fazia necessário, que a voz, o sussurro, que o sexo, que o gosto da porra na minha boca embora ainda presente, se fazia necessária, que o cheiro, ahhhh o cheiro, quantas vezes o vento me trouxe. Mas não me era permitido admitir isso. E se ele soubesse?O que pensaria?As pessoas pensariam que eu estava imergindo e não era isso que queria. Queria que dissessem que eu estava bem, que a sua ausência não era sentida.
Até o fatídico dia que você descobre que o outro teoricamente de fato está bem, e aí o que fazer quando o seu coração está nos pés te impedindo de dar um passo que seja?
Cansei de compactuar com essa mentira, é mais sublime descer, ir ao fundo, ao roda pé do sub solo,Como diria Lays, atravessar a estratosfera e subir ,emergir radiante,com a pele boa um bom sorriso na cara.
Ou, simplesmente não precisar passar por coisa alguma, não precisar ver o mundo cair. Ter um amor por si tão e completamente maior que suplante qualquer paixão. Só acho que essas armaduras devem cair que sentimentos devem ser revelados, amores vividos, uniões desfeitas, novas uniões refeitas. Afinal tudo vai recomeçar todo o amor, toda a dor será revisitada.
Espero não ter sido um tanto quanto exageradamente piegas, mas temo pelas músicas e poemas de amor ( dores de cotovelo)...Temo por mim. O que será de mim, o que será do mundo sem elas?
Dedico:
A todos que amei, em maior ou menor intensidade, mas amei. E isso não é uma despedida, é apenas um agradecimento por terem me feito amar, afinal é bem mais sublime amar que ser amado.
“Chega de mentiras de negar o meu desejo... vou negando as aparências disfarçando a evidencias... só quero ouvir você dizer que sim”.
Ampulheta

Teria ele acabado e eu não percebido?
Penso mais uma vez em sair, em comprar um cigarro, depois quem sabe ligaria a vitrola ouviria João Gilberto. Não, logo sou demovido da idéia, me dou conta que a solidão aumentaria e nem uma dose de Martine teria para embriagar-me.
Ligo a TV para não ver você e me ver chorando, na televisão nada de interessante acontece .
O que fazer agora?
Nada.
Somente esperar.
Cortando na carne

Estou sentado nessas cadeirinhas de praia apoiado, leia-se minhas costas que nem sei se existem mais em uma almofada.Os mosquitos continuam a atormentar,SACO.
O cérebro tenta mais uma vez acionar a boca para que ela repita o mesmo comentário feito anteriomente sobre o programa, mas esta se recusa.Concerto-me na cadeira, coço o pé que está descoberto e consequentemente picado pelos mosquitos sedentos por sangue, depois guardo-o sob a coberta.
Ensaio gritar que meus ouvidos não aguentam mais ouvir tanta bobagem( mentira).Cansei.O pé num reflexo alucinate reage a todos os improperios proferidos naquele programa e numa fração de segundos muda de canal.
Será que posso morrer de tédio?Pergunta sem resposta.
Queria fazer sexo,mas não tenho com quem, nem dinheiro tenho para pagar, caso tivesse a disponibilidade de procurar alguem.Acho que não sei pagar por sexo, sempre pensei que me apaixonaria pelo garoto que contratasse e iria ficar pagando sempre para tê-lo comigo.(Sou assim, sou de touro, já no primeiro encontro quero casar) E cadê o dinheiro para isso?
Sacudo as mãos numa tentativa de espantar os mosquitos.Levanto vou até a janela ver se algo acontece lá fora,mas assim como aqui dentro nada acontece.Fecho, entro e me dou conta que estou mantendo um dialogo comigo mesmo. Estaria eu enloquecendo?(acaba de tocar uma múca dos Rollings Stones que adoro).
Mas só não é louco quem não sabe da sua condição?
Loucura X Sanidade
Estou sentado nessas cadeirinhas de praia apoiado, leia-se minhas costas que nem sei se existem mais em uma almofada.Os mosquitos continuam a atormentar,SACO.
O cérebro tenta mais uma vez acionar a boca para que ela repita o mesmo comentário feito anteriomente sobre o programa, mas esta se recusa.Concerto-me na cadeira, coço o pé que está descoberto e consequentemente picado pelos mosquitos sedentos por sangue, depois guardo-o sob a coberta.
Ensaio gritar que meus ouvidos não aguentam mais ouvir tanta bobagem( mentira).Cansei.O pé num reflexo alucinate reage a todos os improperios proferidos naquele programa e numa fração de segundos muda de canal.
Será que posso morrer de tédio?Pergunta sem resposta.
Queria fazer sexo,mas não tenho com quem, nem dinheiro tenho para pagar, caso tivesse a disponibilidade de procurar alguem.Acho que não sei pagar por sexo, sempre pensei que me apaixonaria pelo garoto que contratasse e iria ficar pagando sempre para tê-lo comigo.(Sou assim, sou de touro, já no primeiro encontro quero casar) E cadê o dinheiro para isso?
Sacudo as mãos numa tentativa de espantar os mosquitos.Levanto vou até a janela ver se algo acontece lá fora,mas assim como aqui dentro nada acontece.Fecho, entro e me dou conta que estou mantendo um dialogo comigo mesmo. Estaria eu enloquecendo?(acaba de tocar uma múca dos Rollings Stones que adoro).
Sodomia

Vou sodomizar você
Não pense que te farei a força, pelo contrario.
Vou sodomizar você
Pode ser que sintas doer, e/ou até doa.
Mas o que é dor senão a sensação concreta do prazer explodindo num gôzo. Pena que eles no nosso caso não podem ser múltiplos.
(que inveja delas)
Vou beijar você
Vou sentir você
Vou sodomizar você
Quero-te desprovido de pecados
Quero que haja sem pudores
Quero só o seu prazer
Só quero ter e dar prazer
Vou sodomizar você e quero que me sodomize
Queime-me nessa fogueira de “pecados” que são os sodomitas
Faça-me arder
Vou sodomizar você
Os atos, os padrões, os certos e os errados não me assustam.
Vou sodomizar você
O que sou e o que você é não me assusta, afinal refletimos nossa essência.
O que os outros pensam sobre nós não me interessa, afinal eles nunca nos entenderão.
