
Casas em estilo colonial emolduram a praça matriz de uma cidade interiorana e bucólica. Em composição a essa cena um senhor de feições finas, branco, olhos claros e cabelos pretos encontra-se sentado em frente a uma dessas residências. Sua reação ou falta de, seu olhar fitando o nada me faz lembrar da Carolina do Chico, não sei bem por que, já que eles nada têm a ver. Ele contrariamente a ela vigia o tempo como que não quisesse que esse passasse sem que antes ele pudesse perceber. Numa tentativa silenciosa de torna-se o senhor do tempo. Suas vestes negras em contraste com a fachada branca, seu corpo ligeiramente e milimetricamente jogado na cadeira de madeira de lei parecem compor a cena de um filme. O tempo passa lentamente e depois de horas na mesma posição ele levanta-se, entra em casa deixando a cadeira na porta e finalmente o silêncio é quebrado. Primeiramente num grito de dor que simplesmente diz NÂO e depois no som da voz de Piaff cantando “Adieu Mon Coeur”.
Adeus, meu coração
Jogam-te na tristeza
não terás meus olhos para morrer...
Adeus, meu coração
Os ecos da felicidade
Tornam teus cantos tristes
Como um arrependimento
Outrora respiravas o sol de ouro
Caminhavas sobre tesouros
Éramos vagabundos
Amávamos as canções.
Isso acabou nas prisões
Adeus, meu coração
Jogam-te na tristeza
não terás meus olhos para morrer...
Adeus, meu coração
Os ecos da felicidade
Tornam teus cantos tristes
Como um arrependimento

Nenhum comentário:
Postar um comentário